Saneamento e Renda

A análise da situação sanitária nos domicílios rurais brasileiros revela que quanto menor a renda agregada de seus moradores, maior é o déficit. Domicílios com renda superior a cinco salários mínimos apresentaram, entre 2000 e 2010, percentual pequeno de ausência de canalização interna de água e percentual elevado de cobertura por rede de esgotamento sanitário. Entre os domicílios com renda agregada inferior a 1 salário mínimo, os percentuais de ausência de canalização interna sofreram redução entre 2000 e 2010, mas se mantiveram em patamares elevados. Os percentuais de escoadouros de esgoto em fossa rudimentar, e outros destinos inadequados, praticamente não se alteraram entre 2000 e 2010, em todos os estratos de renda; porém, entre os mais pobres, a presença desses tipos de solução é bastante elevada, ao contrário daqueles residentes em domicílios com renda superior a cinco salários mínimos. Chama a atenção a prática persistente e generalizada da queima e disposição inadequada do lixo e sua preponderância em domicílios com renda inferior a um salário mínimo (Tabela 4.5).

Tabela 4.5 Déficit em saneamento para domicílios rurais, segundo a renda agregada dos moradores, em salários mínimos (2000 e 2010)

 Sem canalização interna de águaCom esgotos destinados a fossa rudimentar, vala, rio, lago e marCom resíduos sólidos queimados e dispostos em locais inadequados
2000
Renda inferior a 1 s.m.65%84%86%
Renda superior a 1 s.m.66%67%61%
Renda superior a 5 s.m.11%9%58%
2010
Renda inferior a 1 s.m.41% (-24%)83% (-1%)73% (-13%)
Renda superior a 1 s.m.43% (-23%)67% (Sem alteração)47% (-14%)
Renda superior a 5 s.m.7% (-4%)6% (-3%)42% (-16%)
Fonte: IBGE 2001 e 2011 - Censos Demográficos de 2000 e 2010.

Custos envolvidos na adução, armazenamento e distribuição da água nas comunidades visitadas

A adução por gravidade evita o uso de bombas e o consumo de energia elétrica. Esse tipo de adução é preferida pelo seu menor custo operacional, com reduzida chance de apresentar problemas. Na prática, não é acessível a todos. Em uma mesma comunidade, enquanto alguns moradores possuem acesso ao sistema, outros precisam buscar água manualmente, com baldes e latas, em poços rasos e mananciais superficiais, muitas vezes longe das residências. A retirada de água em mais de uma fonte depende da disponibilidade e qualidade dos mananciais. Quando o bombeamento é necessário, a manutenção dos equipamentos é frequente e inevitável. A falta de recursos financeiros e de agentes locais com conhecimento apropriado sobre o tema são barreiras comuns. Em diversas situações, a população precisa recorrer a soluções provisórias que acabam se tornando permanentes, como a adaptação de crivos e conexões de garrafa PET.