Saneamento e Gênero

A ampla redução no número de domicílios rurais sem canalização interna de água, entre os anos de 2000 e 2010, afetou igualmente os domicílios com chefias femininas e masculinas. Em termos de esgotamento sanitário há uma redução no percentual de domicílios chefiados por mulheres nos quais os escoadouros de esgotos são inadequados, o que não ocorre em relação aos domicílios chefiados por homens. Em 2010, a queima ou disposição dos resíduos sólidos em terreno baldio, logradouro público, vala, rio, lago ou mar era praticada em 71% dos domicílios com chefia masculina e em 66% dos domicílios com chefia feminina. Esses patamares revelam uma redução igual entre ambas as chefias, de menos 11 pontos percentuais (Tabela 4.2).

Tabela 4.2 Déficit em saneamento dos domicílios rurais, segundo o sexo dos responsáveis (2000 e 2010)

 Sem canalização interna de águaCom esgotos destinados a fossa rudimentar, vala, rio, lago e marCom resíduos sólidos queimados e dispostos em locais inadequados
2000
masculino53%80%82%
feminino58%76%77%
2010
masculino35% (-18%)80% (Sem alteração)71% (-11%)
feminino38% (-20%)79% (+3%)66% (-11%)
Fonte: IBGE 2001 e 2011 - Censos Demográficos de 2000 e 2010.

O Ônus da Precariedade da Solução de Abastecimento de Água Recai sobre as Mulheres

Em muitos dos domicílios pertencentes às comunidades visitadas verificou-se a ausência de canalização interna de água. O transporte da água é realizado a partir de algum ponto afastado do domicílio, por meio de mangueiras ou baldes e latas, ou a partir de uma torneira que fica no exterior da habitação. Nesses casos, a água é armazenada em reservatórios improvisados, como tambores e baldes, sendo comum o uso simultâneo de reservatórios domiciliares e comunitários. Quando o volume acumulado é limitado, costuma haver a separação da água proveniente de fonte de melhor qualidade. É comum a presença de sistemas de abastecimento de água que atendem simultaneamente a diversas comunidades, sendo os rodízios praticados rotineiramente, ocasionando a falta d’água. Frente a essas situações adversas, destaca-se o papel das mulheres que, via de regra, nas comunidades visitadas, são as responsáveis pelas tarefas cotidianas relativas à provisão domiciliar de água. Por vezes, elas têm que se deslocar para lugares distantes e ermos e transportar a água até o domicílio, o que lhes impõe uma exposição maior a riscos de adoecimento e de violência.