Caatinga

O bioma Caatinga ocorre apenas no Brasil e está presente em dez Estados, sendo todos os da região Nordeste e a parte norte de Minas Gerais. Há grande variedade de espécies animais e vegetais, muitas desconhecidas pela ciência. Os desmatamentos e as queimadas foram responsáveis por danos e alterações na natureza do bioma, com modificações atingindo cerca de 80% de seus ecossistemas. A região é marcada por duas secas anuais. Primeiramente, ocorre um longo período de estiagem, seguido pela ocorrência de chuvas intermitentes. O segundo período de secas é mais curto, podendo ou não ser seguido por chuvas torrenciais. O clima semiárido, caracterizado pela seca e grande calor, condiciona o desenvolvimento de vegetação de pequena altura, com espinhos, poucas folhas – que caem em determinada época do ano – e galhos geralmente retorcidos. A água subterrânea está sujeita a elevados teores de salinidade em decorrência da combinação entre a origem cristalina dos solos e o clima seco. Há o desenvolvimento de áreas serranas e brejos em pequenas regiões sujeitas a maior disponibilidade hídrica e temperaturas mais baixas.

É o segundo bioma mais populoso, com 353.235 domicílios rurais (IBGE, 2011). A atividade agrícola nas comunidades é comum, podendo ser praticada como meio gerador de renda, mas principalmente voltada à subsistência. Por conta da seca, a produção é, por vezes, intermitente e nem sempre suficiente para prover o sustento das famílias. Programas de transferência de renda beneficiam diversas pessoas nessa situação, além das aposentadorias rurais. A insuficiência da produção agrícola é responsável por promover o envolvimento de trabalhadores em atividades de prestação de serviços, em lavouras, corte de cana, construção civil ou situações informais.

Devido à falta de mananciais superficiais, a captação de água para consumo humano costuma incluir o uso de poços e água de chuva. O abastecimento de água por múltiplas fontes é recorrente e geralmente engloba a separação entre a água de melhor qualidade, para beber e cozinhar (podendo ser de chuva), e de pior qualidade, frequentemente salobra, para os demais usos. Os sistemas de abastecimento são muitas vezes divididos entre várias comunidades e rodízios são constantes, em decorrência da baixa disponibilidade hídrica, principalmente em períodos de seca.

A população é forçada a armazenar água enquanto há disponibilidade – o que modifica sua rotina – e buscar outras soluções em situação de falta, como poços rasos e açudes, muitas vezes distantes, exigindo carregamento manual, e com qualidade comprometida. Há também fornecimento por caminhões pipa das prefeituras e do exército. O uso de filtros de barro pelas famílias é comum e a desinfecção, quando existe, é feita por meio de produtos derivados de cloro, por vezes de maneira esporádica ou incorreta. O uso de descarga hídrica, nas casas que possuem banheiros, muitas vezes é inviabilizado pela falta d’água ou por não ser culturalmente aceito, devido ao contexto de escassez hídrica.

Em diversas regiões, as fossas acabam enchendo rapidamente por conta da presença de solo de baixa permeabilidade, sendo sua limpeza muitas vezes realizada pelos próprios moradores, sem segurança adequada. Há comunidades com pavimentação e outras com vias de terra. Em alguns locais, durante o período chuvoso, as vias sem asfaltamento ficam intransitáveis, além de ocorrer o empoçamento de água, agravado pelo acúmulo de resíduos sólidos, com desenvolvimento de focos de doenças.

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Na Caatinga predomina o abastecimento através de rede, mas a água muitas vezes é salobra. Poços ou nascentes fora das propriedades são a segunda solução mais comum, seguida da captação de água de chuva. A ausência de canalização interna de água encontra-se em um patamar próximo ao da presença de rede canalizada em pelo menos um cômodo. O tipo de esgotamento sanitário mais comum é o representado por fossa rudimentar, sendo a parcela da população sem banheiro muito significativa. A queima de resíduos aparece novamente como a solução mais utilizada.