Abastecimento de água

A situação do abastecimento de água nos domicílios rurais brasileiros vem sofrendo modificações no quesito presença de rede de distribuição de água, que apresentou aumento sistemático nas duas décadas observadas, passando de 9%, em 1991, para 28% em 2010. A parcela de domicílios atendidos por outras formas de abastecimento de água – carro pipa, cisterna de água de chuva, rio, açude, lago e igarapé – sofreu a maior redução no período: em 1991 existiam 31% de domicílios nessa situação, diferentemente dos 17% em 2010. A menor variação observada foi no atendimento por poço ou nascente (dentro e fora da propriedade), passando de 60%, em 1991, para 55%, em 2010, mantendo-se como solução ainda hegemônica.

 

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A presença de canalização intradomiciliar impacta a qualidade da solução, tendo em vista que proporciona o aumento do consumo de água, favorecendo as práticas de limpeza e higiene nos domicílios. Essa condição vem se tornando cada vez mais representativa da realidade rural brasileira. Em 1991, 69% dos domicílios não apresentavam canalização interna de água. Em 2010, esse percentual caiu para 39%.

 

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A realidade das fontes de água das comunidades visitadas

A captação superficial, principalmente em rios, é deixada como opção secundária, tendo em vista a melhor qualidade da água subterrânea, de nascentes ou da chuva, que levam a população a dispensar o tratamento ou a utilizar apenas métodos simplificados, como a desinfecção. O uso de múltiplas fontes é comum pela insuficiência ou baixa qualidade da água, esta última, de forma contínua, bastante frequente nos domicílios das macrorregiões Norte e Nordeste, ou sazonal, em épocas de chuvas intensas, aspecto verificado no sul, e que altera a situação de tratamento tipicamente adotado. Por falta de tecnologias de tratamento adequadas ou desconhecimento de técnicas efetivas para a clarificação da água, torna-se necessário, em determinadas épocas do ano, procurar outras fontes ou continuar usando a água, mesmo com elevada turbidez. As fontes de água doce, de melhor qualidade, nem sempre estão presentes, sobretudo nos domicílios das comunidades nordestinas. Isso faz com que a população recorra a fontes menos nobres, por falta de opção, o que implica no aumento da exposição às doenças de veiculação hídrica. Soluções provisórias e emergenciais, como a água trazida por caminhões pipa, também são frequentes no Nordeste, e não há como se atestar a sua boa qualidade. Tais soluções são perpetuadas pela falta de proatividade do Poder Público, em combinação com eventual falta de pressão por parte da sociedade, além de serem também aplicadas como complementação de outras fontes. A água envasada aparece como opção, quando há dúvidas sobre a qualidade de outras fontes, mas seu uso pode ser igualmente duvidoso, sem que a população questione.